quarta-feira, 21 de abril de 2010

pontos de luz *

"pontos de luz"











no silêncio da aurora mal dormida, acresce o meu silêncio revirado.
ao vazio cristalizado, adiciono o meu próprio, permitido.
e eis que com novos ritmos de novo sinto a energia mover-se dentro de mim, assim como se fosse marioneta, movida por delicados mas resistentes fitas de cetim.
e ela entregue, move-se conduzida em desconexas danças arcaicas ao som de inaudíveis sinfonias privadas.
...
tudo está tão absurdamente parado agora, que poderia ouvir as pestanas acenar, o cabelo a crescer.

está na hora de voltar a adormecer.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

sabotador interno, um amigo chamado Saturno



Esta música parece-me que ilustra o resultado prático e visível do boicote interno ou sabotador interno.

Ando à uma semana com a ideia de que o meu próprio sabotador, voltou a fazer das dele, que se voltou a 'intrometer' com toda a legitimidade e minha covardia nos meus assuntos com o meu total ainda que inconsciente (no início) consentimento.

E agora que o vejo crescer e ganhar corpo, que me vejo controlada, limitada e dirigida, sinto-me manipulada pelo meu próprio medo e insegurança, por caminhos 'fáceis' aparentemente, mas que na verdade me parecem divergentes e distrativos. Uma espécie de placebo: não faz mal nenhum, não faz bem significativo e dá-me a ilusão de 'cura, o que como sabemos é um passo para ela ;).
Mas neste caso não é. Eu sei que não é, sinto-o.
É como se andasse às voltas sem sair do sítio, como um cão a tentar morder a sua cauda.

Quando digo não faz mal nenhum, esqueço-me de mencionar o atraso no tempo linear*, que me impede de fazer no devido tempo** aquilo que pressinto e intuo ser correcto.
( o meu sabotador interno  - ou será o meu Eu Superior? - volta ao ataque e diz: é porque não estavas pronta!...)
E proscatino (que raio de palavra esta!). Adio(-Me).

Encontram-se justificações, motivos, correctos, plausíveis, justos,... aos nossos olhos para tomar certas decisões alternativas ou de adiamneto, ou de cancelamento. Para não fazermos aquilo que interiormente sentimos. Para não seguirmos aquilo que a nossa alma (quando a ouvimos) pede.

Medos, inseguranças, a sociedade, os pais, os filhos, os amigos, os valores morais/éticos/religiosos, ... tudo numa amálgama de coabitação (não) pacífica dentro de nós que nos molda carapaças que a maioria das vezes não nos servem, mas que usamos contrafeitos.
Ou que fazemos de conta que nos acentam na perfeição, justificando a nós próprios a necessidade, a utilidade, a obrigação de as usarmos para bem de tudo e todos menos de nós próprios***.

E crentes e crédulos das nossas 'certezas', bombardeamo-nos e couraçamo-nos com desculpas de impossibilidade, de anulação, de culpabilização e de desresponsabilização.

Já sabemos: somos assim, imperfeitos e perfeitos e exímios a contornar o que nos incomoda, interpela, intimida, molesta, inibe, coage, corrompe, magoa, ...

E até termos algum tipo de insight e agirmos, ou a Vida ( com algum trânsito ou retorno de Saturno à mistura) nos tirar o tapete e nos obrigar ''a mal'', à força, continuaremos adeptos das nossas desculpas e convictos das nossas limitações, a auto-sabotarmos e limitarmo-nos de ser quem verdadeiramente somos.
A viver apenas na Sombra de nós, quando podemos sagrada e responsavelmente harmonizar e integrar o nosso lado lunar com o solar e afirmarmo-nos no pleno poder e exercício do nosso livre-.arbítrio.
E isso inclui todos os medos assumidos e sistemas de defesa, para que a transmutação alquímica se dê em nós.

Para sairmos da cruz onde nos metemos e carregamos , para que se dê a verdadeira cruz de Cristo : possamos viver no tempo e vida  que temos, a nossa condição humana (linha horizontal da cruz) e através da consciência vivida do divino em nós, possamos ascender (processo alqúímico de passagem da dualidade à unidade) ao divino fora de nós (linha vertical da cruz).

Para quem tanto temor tem da palavra , ESPIRITUALIDADE é isto:

- reconhecer no mundo, na matéria, a existência do Espírito.


* o tempo linear (horizontal) é simbolizado por Cronos (deus grego) ou Saturno (deus romano).
(muito resumidamente:
No plano físico associa-se às coisa duradouras. No mental à lógica, disciplina, auto-controlo e organização. Socialmente associa-se ao sentido de dever, de honra, responsabilidade, tradição, associado  às instituições, organizações e autoridade governativa, arquétipo da sociedades patriarcais.
Símbolo da ordem, do rigor, simboliza os princípios e estruturas construidas e estabilizadas no tempo.
"Saturno evoca os processos de amadurecimento que validam o sentido de segurança assente na experiência e na relação com o conhecido. Ele é o Snhor do Tempoque define e delimita as fronteiras daquilo que consideramos ser uma realidade verificável, palpável e concreta." (Luis Resina, in Guia de  Intrepretação Astrológica


**Há um tempo interno da consciência que não é  cronometrável  (simboliado por Kyros agora, presente) , tem a ver com o processo interno individual. Através do desenvolvimento  de  uma relação do divino em nós (aqui estão também  associados as simbologias de Urano, Neptuno e Plutão)
É vertical porque liga a base, a terra, o instinto, o animal até à estrela mais distante, o sobrehumano, divino, Todo.
Kyros permite-nos através de formas criativas ligarmo-nos com o Todo, assumirmos que somos seres espirituais com forma humana.

***".. enquanto as normas e os padrões sociais não forem integrados pelo sentimneto, pela avaliaçao qualitativa do individuo, apenas seremos seres que produzem crenças e opiniões sem um verdadeiro sentido de valores individuais. Quanto mais individual, mais universal, porque a humanidade está no individuo pela integração desse dois factores e muito menos no conjunto dos valores teóricos e regras das quais a sociedade se serve para nos moldar" ( do mesmo autor)

domingo, 4 de abril de 2010

Vias-sacras interiores



Lembro-me de ouvir alguém amorosamente iluminado dizer que quando as pessoas descobrissem que pondo a ‘mão no peito’* este deixaria de doer, seria uma enorme avanço na humanidade.



Que sofremos, é um facto. ‘Contornável’ e directamente proporcional ao nosso apêgo. Quando digo contornável não quero dizer que o devamos ignorar (contornar) e fazer de conta que não existe essa emoção, esse sentimento e a razão que o provocou. Com isso só vamos conseguir que a nossa alma se retraia em uníssono com o nosso corpo, para nos chamar a atenção. Quero dizer que se ainda não temos a capacidade de não ter essa dor, é porque provavelmente precisamos de a vivenciar para entendermos e reentegrarmos algo em nós perdido.



A dor toca um vazio que já existe em nós. Atraímos esse acontecimento, pessoa, momento nas nossas vidas, um espelho que nos devolve partes de nós mesmos que precisam de ser curadas e harmonizadas. Temos dor, por vezes porque algo na nossa vida não deu certo. As nossas acções são por sua vez também resultado daquilo que pensamos e aquilo que pensamos está eminente e directamente ligado ao nosso sistema de crenças, aos nossos valores.



Quando algo não funciona, é essa raiz de valores que requer a nossa atenção e ‘ajuste’, onde podemos procurar a mudança.



Muitas das vezes é tão simplesmente porque não nos deixamos fluir com a impermanência, com a mudança nas nossas vidas, seja no caso de morte, de separação afectiva, separação física, etc.



Resistimos, não nos permitimos nem aceitamos os acontecimentos, as pessoas como parte de um fluxo de vida em constante mutação, vida essa que nós não controlamos de todo, por mais poder sobre o próprio, ou os outros que julguemos ter. Nós não temos poder. Esse poder.



Temos um poder incalculável, de força, de amor, de cura, (…) , porque fazemos parte indissociável do Todo que nos alimenta e nutre, e do qual nos distanciamos amiúde. Essa centelha divina, que tudo é e tudo pode e que habita em nós, todos nós. Sempre a toda a hora acessível e vivida em qualquer momento.



Por isso me incomoda o culto da via-sacra. O culto da dor. Quando sei que a energia que me habita tem a capacidade de me regenerar, de me curar, de me amar, sem me fazer sentir miserável por errar, indigno por falhar, incapaz e impotente à dor como se esta fosse via de salvação, como via de redenção. A dor não é o caminho.



Não vim à Terra para sofrer. Vim para lembrar o que já soube , vim lembrar o que sou em cada pequena etapa. A dor faz parte momentânea dos nossos processos de vida, faz parte dos vazios e buracos negros em nós. Mas não é o destino.



O esclarecimento da nossa alma permite-nos ousar outras saídas. Vivenciando a dor, atravessando-a, sentindo-a, mas saindo dela. Não procurando razões, motivos, passados ou presentes para a alimentar e fazer crescer em nós.



Via-sacra interior para mim é nutrir essa dor e procurar momentos ( seja através de músicas, lugares, palavras, fotografias) em nós para ela crescer. Ao passado vamos, ao que já foi e já não é. Por isso também dói. Não dissociarmos afectivamente (desapego) o que já foi um dia, do dia de hoje. Essa impermanência, essa ausência. Essa falta de poder de restaurar o que foi, é passado, já foi, já não existe. Não é verdadeiro, não pertence ao aqui e agora. Não pode ser (re)vivido.



Sentir dor é uma coisa, alimentarmo-nos nela é outra muito distinta.



Ao alimentarmos a dor estamos a descer o nosso padrão de vibração energético, a densificarmo-nos na matéria com todas as consequências negativas que daí advém..



A nova era. O aumento da consciência, traz-nos responsabilidades sobre nós próprios e sobre os outros também. Cabe-nos aceitar e vivenciar a dor, percebe-la sem a ignorar, senti-la, mas encontrar meios , pequenos passos para aos poucos sairmos dela. Esses pequenos passos podem ir, desde ouvir uma música /som que nos alivia nos faz sentir bem, a olhar para fora de uma janela e ver ‘o mundo/dor’ além da nossa, apreciar e cheirar uma flor, a dar um passeio pela natureza, a escrever, …



Só estando numa situação de algum equilíbrio, poderemos ‘vasculhar’ os nossos pensamentos e sentimentos e tentar perceber melhor o que aquela dor/problema(amigo!) nos traz de novo.



A dor é uma oportunidade de expandirmos consciência. É alquímica, tem poder de transformação, de transmutação, se o quisermos encontrar.



Só com alguma harmonia interna, poderemos ter algum discernimento interior que nos deixe aceitar e nos permita seguir em frente, fluir com a vida diante(em) de nós.



Outro alguém especial (Roop Verma) diz que : ” a vida é uma festa…onde estão sempre a entrar e sair pessoas…”

*auto-reiki