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quinta-feira, 3 de março de 2016

WTF!!!??? (só um desabafo)

A 'minha alma está parva'!

Acabo de ver a notícia de Curso Superior de Reiki, em Espanha!!!

Ou eu estou muito enganada, ou esta gente está maluca.

...

domingo, 8 de setembro de 2013

canto da terra

 
Somos Todos Um.
E isto quer apenas dizer, que fazemos parte indissociável da mesma 'massa', da mesma componente vital, que estamos todos ligados e interligados, quer queiramos ou não, quer gostemos ou não.
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E que tudo o que pensamos, sentimos, fazemos, vai mexer, interferir e repercutir na grande rede a que pertencemos, que Somos...
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Brancos, pretos, amarelos ou vermelhos, monges, padres, religiosos, crentes e ateus, cidadãos exemplares, ladrões, chulos, corruptos, heterossexuais, homossexuais, velhos, novos, doentes, sadios, ignorantes, doutos, beneméritos, assassinos, samaritanos, manipuladores, ... (e a lista é infindável) , Pessoas..
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Pessoas. Em diferentes graus de consciência, e diferentes despertares, em diferentes degraus de vida, com diferentes desafios e obstáculos pela frente.
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Pessoas. Não temos de gostar como são.  Nem aplaudir os seus atos, as suas fealdades e desumanidades, os seus lados sombrios e negros.
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Entender e respeitar as suas limitações, as fragilidades, as incapacidades de serem (ainda, por enquanto) mais e melhores Pessoas.
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Mas a partir do momento que nos voltamos contra elas, não estamos a ser melhores do elas...
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Vigiar o que sentimos, Sentindo. Não abafar ou escamotear sentimentos. De preferência sozinho.
É tristeza? chora-se, é raiva? grita-se, é ...? desabafar, deixar sentir e sair, até limpar ao máximo e não se virar contra ninguém, nem o próprio. Compaixão e Autocompaixão.
Impor limites. Dizer não, apenas. Respeitar. Procurar a humanidade e a beleza no outro e alimenta-la. Dar o exemplo. Dar oportunidades para. Aceitar. Amar Incondicionalmente.
Ser feliz, acima de todo o ruído em volta.
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Somos todos Um.
Ao fazer (pensar, sentir, desejar) mal ao Outro (rio, montanha, animal, pessoa, elemento, ...), estou na verdade a ferir-me.
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Aceitar. Amar Incondicionalmente. Custa? Claro que sim!!!
''Cada um sabe a delícia e a tortura de ser quem é''
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É a minha verdade. Funciona para mim. Não tem que funcionar para os outros.






sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Make me feel better




Olhei o saco de papel pela primeira vez antes de o dobrar.  A primeira coisa que me chamou atenção, foi a imagem bonita e chamemos-lhe 'carinhosa' de duas vibrantes e coloridas rãs às manchas apanhadas em flagrante cópula. Achei-lhes graça (acredito que elas apanhadas assim não terão achado nenhuma, eu não teria..), o suficiente para ler o garrafal título que as encimava '' MAKE ME FEEL BETTER''.

what????!!! pensei estremecida o suficiente para ler o texto que terminava no fundo do saco. Comecei a ler e a deixar-me escorregar esquecida e a gostar daquela cadência na alma e no ouvido, mas ...
E o dito rezava assim:

"O sabor dos teus beijos. Uma boa conversa. Fluir. Abandonar-me na minha galáxia paralela. Perder-me entre a multidão de uma grande cidade. Sentir o frio da montanha. Respirar fundo. A pureza da amizade verdadeira. Falhar, errar e saber corrigir.
Tocar-te. Conseguir desfrutar o presente de forma prolongada. Saber perdoar. Um banho em alto mar. Sentir-me minúsculo na imensidão. Fazer-me gigante nas tuas carícias. Dormir no deserto. Contemplar a fogueira do teu corpo.
Os sonhos silvestres. Canalizar o medo. Rir até chorar. A luz e a escuridão. Viajar sem ter dia de regresso.
Voltar a casa e ...? Que dizes, juntamo-nos de novo?

wwnatura.com.pt


Bonito não? bonito serviço.
É comum e muito pouco original a junção de sexo, ou alusão e conteúdos sexuais na publicidade. Toda a gente sabe que SEXO VENDE, chama, seduz, atrai, ilude, persuade, domina, convence, cativa, ... e vende. Ora neste caso, eu já tinha comprado, e não era a publicidade que me faria voltar a fazê-lo, pelo contrário (só de birra ;)
Não sou contra o sexo, mas sou-o quando ele invade como praga, ora de forma ordinária, ora subliminar, ora ostensiva todos os quadrantes da vida. (ok. as rãs eram lindinhas e depois?)

Na verdade o que eu não gostei mesmo - cada tolo com a sua mania..- foi da ideia de (tirando as frases bonitas e românticas) : ó tu, anda daí vamos dar uma que eu preciso de me sentir melhor!
Muito cru? pois, sem as frases bonitinhas e profundas fica, nú e cru. E nú até é bonito, já cru...depende
Make me feel better, tal como em português poderia sugerir  Faz-me sentir melhor (pedido a alguém, súplica, desejo) ou constatação afirmação: o outro/lugar/ coisa/ que me faz a mim sentir melhor.
De facto todas as coisas mencionadas, nos fazem sentir bem, são agradáveis (...) experiências de vida.
E cada um procurará para a sua vida as experiências/sensações/emoções que mais deseja. O que é válido e necessário para mim, pode não ser para o meu irmão, pai, filho.
Há muitos caminhos e cada um terá o seu pelo qual será responsável e deverá ser consciente.
Para mim, é a ideia de o outro que vem e make me feel better. Quer dizer que não estou bem, mas deixo-me esquecer disso e embarco, 'compulsivamente' em alguma coisa que me faz sentir por instantes bem.
((Se calhar podia antes pensar: estou bem , mas contigo estou ainda melhor, por isso 'juntamo-nos de novo'?  - devo estar a ficar velha e moralista..))
Mas até quando, vão continuar a procurar (make me ) fora  (feel better) aquilo que precisam primeiro encontrar dentro (feel good)?
Acredito piamente que dois Feel Good dão dois excelentes Feel BetterBetterBetter. Mais  (+) por mais (+) dá mais (+), certo?  ((menos(-) por menos (-) também, mas...por quanto tempo?para quem gosta de 'pensos rápidos'...))
No meu tempo dava. ~

No deste menino Jakob abaixo, também.
(filho de peixe...sabe cantar)


My mind is open and my heart is full
ain't got any weight that I can't pull
right now I know that anything is possible

gonna bang my drum, blow my horn
I forget what these pills were ever for
I believe I won't need them anymore

I used to burn candles at both ends
now I just throw the whole damn thing right in
now playing in traffic is easy, once you learn where you get in

you wanna come with me?
get on board
now get in or get out
you see the door
the future's callin'
and it's me that it's lookin' for

cos it feels like summer again
I was thinkin' that it just might never begin
after where it's been
it's good to have the sun on my face again

I wear big boots
I know I do
I ain't envious of anybody's shoes
I wear 'em loose
yeah, maybe that's why it bothers you

I'm building my ship
stick by stick
and when the waters get rough I'm gettin' in
the motion of the waves
it does not make me sick

cos it feels like summer again
I was thinkin' that it just might never begin
after where it's been
it's good to have the sun on my face again

I buried my horse in a shallow grave
and I said a few things
I had champagne
that beast gave me everything that nobody gave

I got high hopes
tomorrow came
and I won't look back
on anything
I just found out that my bird can really sing

and it feels like summer again
I was thinkin' that it just might never begin
after where it's been
it's good to have the sun on my face again

domingo, 21 de agosto de 2011

carta aberta a Deus






Hoje está um daqueles dias estranhos que se entranham na pele e corpo e me toldam o pensamento. Densos. A atmosfera está densa, muito densa e eu sinto-a. Anuciaram chuva que não se viu. Um calor abrasador ficou sem descanso todo o dia de ontem e ameaça outro dia igual hoje. Trevoada, precisa-se, para aliviar esta pressão de panela prestes a explodir. Não a minha, mas a da atmosfera.

A minha mantem-se estável, porque explode a cada momento/dia em que assim preciso, numa sintonia e sincronização divina que me reconforta. Porque se eu retraio, porque não estou no sítio ou contexto propício por exemplo para chorar, se eu me inibo de me expressar, sei que O farás de seguida logo que seja possível, e me impelirás a libertar tudo o que profundamente me magoa, entristece, marca, seduz, deslumbra, alegra, ...
E esse constante e atento afago protetor e amigo que me fazes esse colo que me  providencias, apazigua-me, enternece-me, liberta-me, alegra-me, seduz-me, ... e faz-me sentir viva e feliz por Te ter assim na minha vida. Amo-Te e sou correspondida. E essa certeza, essa presença constante - 24h por dia, que eu nunca na minha vida pensei vir a ter, nem desta forma - é do melhor que há. E não se explica, sente-se.

Não faz qualquer diferença que esteja sozinha , porque sei que não 'prego no deserto', porque tenho o teu apoio, abraço, inspiração, caminho e carinho incondicional porque incondicional é o meu amor por Ti, a minha entrega e confiança no meu Dharma e na Tua sabedoria e orientação. No teu Amor por mim.

Não faz qualquer diferença que não compreendam o que digo, que lhes soe estranho, surreal, alienado, que os incomode, e repudie. Para mim, não. É tão natural e simples como respirar. Mas Tu sabes que eu não conto, 'nem da missa metade', que nos preservo naquilo mais pessoal que temos. Da mesma forma que não se contam as experiências amorosas ao detalhe, não por pudor instituido ou prurido mental, mas por imenso e devoto respeito pelo outro. Pelo que é vivido a dois. Intransmissível.

Mas Tu sabes que C. sabe desta missa, - porque também ela sabe porque a sente - com quem partilho este amor imenso por Ti. Por vezes rimo-nos nesta dupla cumplicidade e entre sorrisos e gargalhadas confessamos: eu só te conto a, ti, porque senão a minha família interna-me!, e ainda, não faz mal, arranjamos um quarto lá só para as duas, afinal dizer umas coisas estranhas à plebe, é do que por lá abundará (risos)

Chamarem-me de maluquinha, olharem-me de lado como alien, rirem-se, poderem fazer troça ou ironia com o digo, escrevo, faço, não me molesta nem altera um milímetro o que sou, o que sinto. Sabes porquê? Porque o que (sou)sei, não foi estudado, não o li em livros, não vi em filmes ou documentários, não me contaram professoeres, mestres nem gurús, não me disseram videntes ou outros intermediários fidedignos ou não. O que eu sei, sei porque o vivo, porque o sinto, a cada dia, com crescente intensidade paixão e revelação. E isso basta-me. TU bastas-me. E cada dia é uma festa, com risos, bençãos e lágrimas. Porque cada dia se revela único ao Teu lado. E grata sou.

E é esta Fé, este Amor, esta Entrega Incondicional que me fazem ter a Força que tenho, o Brilho que tenho, a Determinação que tenho, a Confiança que tenho, a Certeza que tenho, ..., que no meio de cada tormenta, de cada privação, de cada  prova, de cada tristeza,..., que se me depara, terei sempre o suporte, a resistência, a forma adequada , a orientação,  para a atravessar segura e ilesa. O Teu Amor.








“Do not believe in anything simply because you have heard it. Do not believe in anything simply because it is spoken and rumored by many. Do not believe in anything simply because it is found written in your religious books. Do not believe in anything merely on the authority of your teachers and elders. Do not believe in traditions because they have been handed down for many generations. But after observation and analysis, when you find that anything agrees with reason and is conducive to the good and benefit of one and all, then accept it and live up to it.”  Siddharta Gautama





Ah! já chove !!! Aleluia!

 

 

 






 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Desculpe, sim? : pausa para umas necessidades..




 
Esta semana, andou este tema a rondar-me o corpo, a mente e o espírito.


E nós sabemos, que quanto mais se enxota uma mosca, mais ela insistente nos ‘atazana’ e incomoda, e se a deixarmos zumbir um pouco em volta, ela acaba por ir dar uma volta e ir sobrevoar outro. Bem, também sabemos que por vezes isso não resulta..


Desde que me conheço como gente, que sou uma pessoa simples. Vestir, calçar, falar, viver, ser. Por vezes até demais. A proximidade e gosto pela terra, pela natureza, pelo ar livre, pela simplicidade das coisas e seres vivos, fazia-me ser simplesmente simples e prática.




Passei uma fase da minha vida em que precisei de me ‘afirmar’, ou de tomar as rédeas da minha vida e dar-lhe novo sentido, e sem querer entrei numa espécie de (nova) crise de identidade. Não quero dizer que deixasse de me conhecer, pelo contrário, mas comecei a alargar e ‘complicar’ esse conhecimento que tinha de mim mesma. Isto é, a precisar de encontrar novas formas de me ver e de ser vista. E a procurar uma dimensão diferente e mais feminina de mim mesma.


E tudo aquilo que eu repudiava ou afastava da minha vida, por achar desnecessário, supérfluo, atrofiante, manipulador, ridículo, etc, dei comigo a procurar, ou a seguir, ainda que de forma muito moderada e simples (de novo!), a minha forma, claro.


E para meu espanto, que fugia a sete - mil - pés dos centros comerciais, dei comigo a entrar em lojas onde nunca na vida tinha sequer entrado, e a comprar coisas - sim, coisas! – algumas banidas do meu quotidiano há muito tempo. Falo por exemplo de calçado de tacão alto. Tenho um 1,74cm de altura, sou uma ‘piquena’ mui grande, ;) e a minha necessidade de passar despercebida (não conseguida, diga-se) e a minha simplicidade constante, faziam com que eu comprasse sempre calçado prático, leve, confortável acima de tudo. E claro, raso!.


E de repente dou comigo a ceder e a caminhar  uns centímetros acima do solo. (não, não é todos os dias, que eu não aguento!!)


Valha-me Deus! Onde me estou eu a meter ? (e Tu a ver..)


Bom, isto para dizer, que atrás de uns tacões altos (e isto porque passar despercebida, deixou de me fazer mossa) , veio alguma maquilhagem extra e práticas - ditas e pretendidas – femininas, (ainda que esporádicas) como por exemplo, eyeliner, ou unhas dos pés pintadas (!)*. Estava espantada comigo mesma. Mas quem és tu afinal ??!!


Não pensem os leitores que eu era uma ‘minhota de farto buço’ ou uma moçoila ‘dardeia’ (leia-se ‘da aldeia’) sem polimento ou cuidado, mas isto das unhas ou tacões, ou (…) era digamos mais do que ‘necessidades básicas’, ou mais do que era e sempre fora necessário e preciso para mim.


Felizmente que escapei ao ‘síndroma do divorciado’ – se é que é assim que se chama - segundo me disseram, no qual se ‘salta ou procura’ parceiro sexual como forma de substituição e afirmação perante o parceiro perdido. Portanto, não foi por uma questão de ‘caça’ que me propus a estas mudanças e alterações. Mas sim, muitas vezes nesse período de transição, de ‘luto’ e ‘jejum’, uma bonita e sexy lingerie - que só eu via – e todo o meu ’embrulho’, mais elaborado, era tudo o que tinha e queria para me fazer sentir, bem, bonita, desejável e Viva.


Esta lenga-lenga toda para dizer afinal, que as necessidades básicas, são frequentemente escondidas, afastadas, secundarizadas e negligenciadas por nós, sobretudo (algumas) se estamos ou nos consideramos em ‘caminhos espirituais’.


E se é comum aceite que casa, comida, cuidados de saúde, conforto, protecção, afecto, trabalho, (…) (relacionados com o 1º e 2º chakras, de raiz e sexual) são comummente considerados como básicos e indispensáveis na nossa vida, facilmente nos esquecemos e relevamos para segundos e terceiros planos outras necessidades básicas e indispensáveis na nossa vida também.


Coisas tão simples e banais, tão ‘ordinárias’ no sentido de comuns, como espirrar, tossir, bocejar, espreguiçar, coçar, dar um traque ou peido (ehehe, estas 2 palavras nem aparecem no dicionário do Word 7 ..), chorar, rir, arrotar, etc. Que se repararmos estamos (muitos de nós e muitas vezes) a reprimir repetidamente na nossa vida, seja porque consideramos cultural e socialmente inaceitável, seja por qualquer outro motivo ou bloqueio pessoal. Ainda que possamos ser discretos (como convirá, sim, falo sobretudo dos inomináveis acima) em alguns deles, reprimi-los na sua totalidade e dimensão, prejudica-nos, limita-nos, atrofia-nos, condiciona-nos, não permite a livre e necessária fluidez de energia no nosso corpo, na nossa vida. E acaba por nos causar transtornos também físicos mais tarde..


Viver o Dao ou seguir o Tao, o Caminho da espontaneidade natural..


‘Escuta o teu corpo’ diz Lise Bourbeau e o que ele te pede. Nunca li esse livro, aparentemente estava esgotado quando o procurei nas livrarias do Porto. Mas apenas este título já me diz muito. Porque queiramos ou não ** temos um corpo, o nosso templo sagrado que devemos honrar e cuidar com esmero e ‘devoção’ (atenção que não falo de extremos ou exageros, tudo na sua certa medida, e cada um saberá qual é a sua..mesmo que precise em alguma altura de a exceder..)


Quem anda ‘nestas lides’ metafísicas, frequentemente delega para segundo plano, (digo último! ) ou faz por ignorar completamente, esta coisa ‘do apelo do corpo’.


E agora falo sobretudo da nossa - humana- componente sexual. Viemos apetrechados com apêndices, interiores (yin, femininos) e exteriores (yang, masculinos) que também nos dão que fazer nesta vida. Ó, ó..
As nossas necessidades básicas, passam também por aí, e por muito que queiramos ‘andar nas nuvens ou no céu’ , ignorá-las, só nos fará mal. Cada um saberá em consciência, como lidar com elas. E não há conventos, reclusões, ou abstinências e sublimações que nos valham - ‘’Om valha-me Deus’’** como dizia alguém – porque não somos menos espirituais por as termos. Se assim fosse, tínhamos nascido eunucos. Não são o nosso objectivo de vida ou prioridade, mas se aparecem, é deixa-las vir..

E agora desculpem sim?
Tenho que ir ali comer um pãozinho de maçã acabado de fazer.






*(felizmente esta coisa não alastrou ao cabelo, e continuo com as minhas ‘madeixas brancas’ naturais de estimação que me dão imenso gozo, e a ir 2 a 3 vezes ao cabeleireiro .((por ano!))


**há uma cena divina (mas não são todas?!!) no ‘’Panda do kung fu’’ em que o Shifu tenta meditar e repete continuamente “paz interior…paz interior…” sem conseguir a tal paz interior que tanto quer…





quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Está explicado: in capacidade

Desde muito miúda que acompanhei os meus pais nas suas idas diárias a um lugar de ‘culto’ no Porto. Nunca lhe chamaram religião, mas filosofia. O Racionalismo Cristão. Como o próprio nome indica, razão e princípios crísticos.


Cresci envolvida em práticas e conceitos incomuns para a época, tais como : espírito, reencarnação, água fluídica, forças inferiores e superiores, corrente, médium, outras vidas, mediúnidade, obcessores (não era este o nome dado, mas não me recordo qual era) ,vida fora da matéria, etc.

E se nunca me fez mal nenhum essa convivência chegada, (e só recentemente percebi o real e lato impacto que tivera na minha vida..) antes me familiarizou com temas e realidades além das ditas comuns e normais, a verdade é que cedo percebi também que não me chegava, por muitos princípios que me diziam, não dava resposta a todas as questões que tinha nem se identificava totalmente comigo.

Por opções de educação, cresci e aprendi em dois colégios católicos, por isso sei por dentro das práticas e realidades desta religião. A infância, passou-se num espaço privilegiado, belo que guardo nas minhas melhores memórias: Chamava-se a Quinta das freiras, ou quinta da Azenha, melhor dizendo o Externato Santa Margarida. Aí fiz a primeira e única comunhão. Apesar de não ter nenhuma prática católica em casa, seguia os ‘trâmites’ impostos pela escola adotada, como se fossem meus. Era estranha esta coexistência. Ser socialmente a nível escolar de uma forma e viver outra. Era uma máscara que tinha que usar.


Lembro-me do choque que foi passar deste belo (além de uma enorme área verde envolvente, tem, ou tinha, uma igreja linda, toda em granito, pé direito altíssimo e despojada, com eu gosto..) e enorme lugar em Gondomar, para um quarto de espaço(será dizer pouco), com o quíntuplo ou mais de alunos no Porto(será dizer pouco!), o C. Luso-Francês. Senti-me mal..andar de cavalo para burro. Burro manco, feio, atrofiado e infeliz.


Lembro-me também de ser obrigada a ir à missa lá, e da ansiedade de ter de magicar pecados sempre que era obrigada a ir ao confesso. Diacho, ao que uma pessoa se sujeita.


E a bonomia e placidez das primeiras freiras, passou para o sarcasmo, rigidez, atrofia e maldade de muitas das segundas. Lembro-me de duas espectaculares que escapavam à regra geral, e se destacavam das demais: a professora de Português e a de Biologia.


Mas afasto-me do que me propus.


O que quero dizer com isto é que convivi de perto com duas práticas metafísicas enquanto me ia formando como gente. E por que nenhuma me encheu as medidas, não fiquei por ali.


Não vou fazer aqui uma resenha das minhas experiências, porque não interessa fazê-lo.


Durante algum tempo queixei-me (aos meus botões) desta minha incapacidade de me fixar a uma religião/filosofia, porque sentia a necessidade, de alguma disciplina e rigor, de algum método e ritual que me obrigasse a uma maior focalização e consequentemente menor dispersão, naquilo que chamo na minha vida de ‘inconsequência’. Sentia-me um pouco perdida neste imenso mar de apelos e vias, e ser capitão do meu pequeno barco a remos, parecia uma tarefa de gigante. Ter alguém que me disse-se: levanta-te às tantas, reza às tantas, diz isto tantas vezes, faz aquilo, às tantas e x vezes, … parecia-me mais ‘fácil’, ou pelo menos, indispensável para me centrar objectivamente.


O problema é que nunca encontrei nada nem ninguém que ( e voltamos ao mesmo) ‘me enchesse as medidas’. As minhas são de outra dimensão e exigência, parece-me. São as minhas e pronto, está tudo dito. E por isso fui absorvendo, aprendendo, conceitos, normas, ideias daqui e dali*, que ressoavam com a minha maneira pessoal de ser e sentir e me faziam sentido, sem me fixar em nenhuma religião, filosofia, guru, mestre, seita, dogma, onda, credo,…


E o mundo está cheio de grandes exemplos, humanistas, filósofos, pensadores, religiosos, e outros (todos) comuns mortais capazes de nos emocionar, enlevar, ensinar, despertar, influenciar, cativar, …, na nossa demanda pessoal de vida.


Para mim, fixar-me e seguir um deles, por mais iluminado que me possa parecer, é-me demasiado redutor e limitativo. Além de poder ser, muito perigoso..


O mundo está cansado de tanto fundamentalismo, tanto dogma e fervor cego em torno das religiões, das sociedades, no mais comum quotidiano.


Quando deixamos de pensar pela nossa cabeça para seguir a cabeça de outro, alienamos o nosso direito e dever fundamental de sentir, pensar e agir por nós mesmos. Transferimos o poder que temos para o outro. E tentamos assim também destituirmo-nos de responsabilidade por aquilo que fazemos..

Uma vez vi num blog, uma coisa que achei graça. O título da famosa lista de seguidores dizia: ‘podem seguir-me, mas eu também estou perdido’. Ora eu não estou perdida (de vez em quando vou me perdendo, mas recentemente, encontrei-me :), daí a falha na lista de seguidores ;)

Alguém espiritual dizia numa informal e divertida exposição acerca de viagens, que Viajar (e tratava-se de uma volta ao mundo) era também uma incapacidade de Ficar. Nomadismo versus Sedentarismo.

Pois para mim, parece-me que não ter religião nenhuma também é (a minha) incapacidade de a ter.

Entre um pássaro na mão e outro a voar..deixo sempre os dois voarem. Se quiserem. :)

Fiquem bem, com ou sem religião. *(Cristianismo, Taoísmo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Zen, ..)


Joan Osborne - What If God Was One Of Us
Enviado por Pippo-el-peco. - Vídeos de notícias do mundo inteiro.
 

sábado, 25 de dezembro de 2010

é natal

em mim.

Depois de um mês atribulado e denso, que me trouxe sentimentos e emoções extremas que não conhecia em mim, depois de os sentir, da impotência de não os conseguir afugentar, nem ocultar cá dentro, cá fora muito a custo (há sempre aquela tentativa de auto-negação, do humana e socialmente correcto, 'não, eu não sinto isso' ) , depois de os atravessar, assustada senti-los intensos e avassaladores, depois de os liberar, chorar e libertar todos aqueles arcaicos resquícios em mim, eis que chega por fim o natal.

O primeiro natal sem os filhos à beira (porque eles vivem dentro de mim), o natal mais parco de gente (ao longo dos anos vai diminuindo.. )  mas não o mais pequeno.

Um natal sem enfeites, nem decorações, sem muitos dos tradicionais doces (as rabanadas que fiz, resistiram) , sem troca efusiva de prendinhas (ó mãe, -dizia Artur pelo telefone- vamos estar com a avó na passagem, não vamos? abrimos nessa altura, concordas Nuno? mmm, está bem...mas vou ficar curioso..) , sem atropelos nem confusões, sem angústia, nem lágrimas, nem mágoas.

Um natal aceite.

Um natal simples, partilhado à mesa tradicional, à volta de bacalhau e batatas e grelos, e descomprometidos e agradáveis dedos de conversa.

Um natal a duas, mãe e filha em comunhão, com um passado de turras e sentimentos atribulados que se vão diluindo, burilando e transformando ao longo dos anos e dos esforços do nosso crescimento.

Lembranças de chocolate trocadas, mimos de amor consentidos.


Um natal sentido, partilhado, agradecido. Nunca sabemos quando pode ser o nosso último natal ou momento por aqui. 

Um natal, tranquilo, em paz, sobretudo connosco e depois com os outros (há palavras e gestos de carinho que guardarei para sempre).

Um natal feliz, desejado e oferecido aos outros e devolvido para mim.


 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ajuda

AJUDA (deixada hoje no meu mail )



Eu sei que gostas de ajudar. Sei que te esforças, queres passar às pessoas tudo o que sabes,tudo o que aprendeste comigo. E pensas que é legítimo. Eu compreendo. Fazes o que sabes e achas que está certo. Não te pões em causa. Não consideras, por um só momento, que essa tua desmesurada dádiva pode ser ego. Não pensas nisso. Eu compreendo.


Mas se até aqui era de alguma forma aceitável que fizesses isso, depois de leres esta mensagem vais compreender que não é. E a lógica é simples. Presta atenção: Quando vais ajudar alguém, como é que fazes? Tens pena da pessoa, achas que ela está a passar um mau bocado, então engendras uma estratégia para a retirar daquele estado. Nada mais legítimo, pensas tu.


Eu compreendo que penses desta maneira. Mas não é. Percebe que a estratégia que definiste para ajudar essa pessoa tem a tua lógica. Tem a tua energia. Só a tua energia. Não tem a energia da pessoa. Ou melhor. A pessoa não tem a energia da estratégia que desenvolveste para ela. Por isso, é pouco provável que ela consiga pô-la em prática. E mesmo que o faça, é pouco provável que dê certo. Porquê?


Porque sempre que uma pessoa faz algo que não tem a sua energia, quando começam a vir as consequências, quando é preciso tomar decisões quotidianas em relação a essa estratégia, a pessoa pura e simplesmente não domina aquela lógica. Não vai saber, por isso, tomar decisões referentes à estratégia e consequentemente as coisas não vão dar certo.


E porque é que eu digo que é ego ajudar desta maneira? Porque só o ego quer impingir a sua lógica ao outro. A alma não impinge nada. E a alma também pode ajudar. A alma, essa, olha para a pessoa que está à sua frente. A alma sente profundamente essa pessoa. A alma consegue descobrir onde é que está a alma dessa pessoa. E consegue «puxá-la» lá de dentro. E consegue fazer com que ela se liberte do medo, e livre do medo já pode fazer escolhas com a sua própria lógica.

Isto é que é ajuda. Não é decidires, opinares, resolveres pelos outros. A verdadeira ajuda é conseguires, através da compaixão, limpeza e amor, fazer brilhar a alma do outro. E como eu digo muitas vezes, a melhor coisa que se pode fazer a uma pessoa que está mal, além de limpar, é dizer: «Eu sei que tu vais conseguir.» E no dia seguinte, telefonar, talvez para limpar outra vez, e dizer essa frase vezes sem conta até a alma dela se manifestar. Até ela própria conseguir. Isto é que é ajudar.

in, O livro da Luz, Alexandra Solnado
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 A nossa tendência natural é dar respostas, soluções prontas à luz das nossas escolhas, vivências, conhecimentos, espectativas, desejos, etc.  Como se dessemos pistas aos outros de como resolverem as suas situações, problemas, questões. Como se nos aliviássemos e nos ajudássemos (genuinamente) também nesse ajudar e querer 'salvar o mundo'. Porque somos assim, grandes nesse impulso amoroso de inter-ajuda. Mas esquecemo-nos que não somos os outros, não estamos na sua pele, na sua alma, que aquilo que seria fácil, próprio, correcto ou melhor para nós, pode não o ser naquele momento ou nunca para o outro. E outras respostas são válidas, porque foram as encontradas e possíveis para e pelo outro naquele específico momento.
E a maior questão e dificuldade que aprendi ( de difícil, atenta aplicação e sucesso ) nas aulas de Aconselhamento Psicológico era precisamente aí, o busílis da questão era conduzir um diálogo consciente no sentido de levar o outro a encontrar por si as respostas, a ter os insights que o levariam à Luz, à sua luz, aquilo que ele encontrava, entendia, aceitava e podia fazer.

Porque nós temos as respostas em nós. Por vezes boicotamo-nos inconscientemente, paralisamos, cedemos, mumificamos a forma e o pensamento, a acção e o sentimento .
Umas vezes conseguimos sozinhos 'dar a volta' e reverter a nosso favor e da nossa alma as situações.
Outras vezes precisamos de ajuda. De um 'empurrãozinho' para cá dentro chegarmos.

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

golpe de asa

Hoje no meu mail deixaram isto :

"Parece que as pessoas só querem fazer o que conhecem. O que sabem que vai dar certo. É claro que para quem pensa assim, nunca há risco. Nunca há um golpe de asa. As pessoas fecham-se nos seus próprios conceitos, muitas vezes apoiados em preconceitos, para não arriscar, para não cometer uma aventura.

Digo «cometer» uma aventura porque parece que aventurar-se é um crime. Cometer um risco, ir ao encontro do desconhecido. Um golpe de asa. Isso sim. Um golpe de asa.

Pensa que um pássaro até pode estar a voar, mas cometer um golpe de asa em pleno voo significa mudar abruptamente de rumo, sem aviso prévio, sem preparação. Completamente ao sabor do vento. Completamente ao sabor da vida.

Vá, arrisca. Comete o teu golpe de asa. Aceita percorrer caminhos menos conhecidos. Sai do teu círculo de conforto. Arrisca. Só os grandes aventureiros têm a essência límpida como cristal. Só os grandes aventureiros têm grandes histórias para contar."  in o livro da Luz de Alexandra Solnado

Pois eu achei 'curiosa', esta mensagem, nesta altura, em que já dei o meu novo salto no 'abismo'. O segundo este ano.
Ocorreu-me Fernão Capelo Gaivota, entre outras coisas.
Deixo-vos um abraço grande e aquele brilhozinho no olhar de quem espera e deseja, 'ter histórias para contar' :)

domingo, 17 de outubro de 2010

Fénix ϕοῖνιξ ou a História de um vestido

"A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie, chegando a viver setenta anos.


Mas para chegar a essa idade, aos quarenta anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Nesta idade ela está com: As unhas compridas e flexíveis e não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva, dificultando a caça. Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar se torna difícil.


Então a águia só tem duas alternativas: MORRER... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar aproximadamente 150 dias.


Este processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico contra a pedra até conseguir arrancá-lo. Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. Só então, após cinco meses, sai para o famoso vôo de renovação, para viver por mais 30 anos."


O meu percurso de vida faz-se através de solitárias, sucessivas (e muitas vezes criativas) mortes e renascimentos.
( Ou não tivesse eu 4 planetas em carneiro, na casa 8..incluindo mercúrio e o nodo norte )

E é nesse continuado e sem aviso morrer e renascer que me vou descobrindo e conhecendo como gente, que me vou edificando e crescendo.

Ninguém gosta de morrer, certo? nem que lhe tirem o tapete..Mas aceitar o processo e essa ausência absoluta de poder e controle, fazem parte desse ciclo.

São sempre processos dolorosos, sofridos, que me levam às masmorras soturnas de mim mesma, a um vazio profundo existêncial, sulcos e fendas em mim, que me fazem questionar, repensar, e por vezes refazer, que põe em causa aquilo que tenho como certo e inquestionável, ou como adquirido, como valores, ideais, limites (auto-impostos, claro), etc.

Processos que me devolvem a minha vulnerabilidade, a fragilidade de ser, que me impõe humildade e redenção perante inquestionáveis e incontornáveis forças cósmicas. Não compreendo por vezes, propósito, sentido, mas tento descodificar o que me é permitido, até onde o meu entendimento, esclarecimento e consciência alcança, e aceitar o que vem como etapa essencial para o meu crescimento, mesmo que me transcenda.

Aceitar é uma palavra-chave. Redenção. ' 'Faça-se em mim segundo a Vossa vontade'.

Em algum momento nesse doloroso processo surgirá 'insight' , meaning, a way out in the Light. A way through and in/with Love. E um renascer e ser fortalecido, pronto para nova etapa. Venha ela!

Neste ser e desfazer, morrer e renascer, Águia, Fénix, Ser, contribuem outros seres, eles próprios nos seus processos individuais de vida e crescimento. Que amorosamente se oferecem para isso. Mesmo quando não dão conta. Mesmo que inconscientemente. Aliás como em qualquer outro processo na nossa vida..

E por vezes é quando ( quem ou aonde) menos espero que surge a epifania, me surgem pistas e saídas, os ditos insights que me transportam e contribuem para um entendimento e sentido (ainda que possa não ser completo ou totalmente definido) , que contribuem internamente de forma consertada e decisiva para o resolver da 'questão', para o meu ansiado e sofrido renascecer.

Desta vez, depois de um (em crescendo e demasiado longo) período conturbado, excessivamente incapacitante e depressivo, como há muito não tinha memória, eis que surge também (porque não foi único) um vestido. (...) Sim a ideia de um vestido, a visão de um vestido com o qual tinha sido feliz e estava em paz. E a absurda ideia (possível quando se está naufrago de vida) de 'salvação' através dele, de aproximação à paz vivenciada e sentida circunstancialmente com ele , paz que fosse restituída ( minimamente se pretendia) com o uso desse vestido de verão, em pleno inverno.

Como se um vestido (casa, pessoa, lugar, coisa...) por si só fosse capaz de nos devolver externamente algo que interiormente não encontramos em nós. Fosse tábua de salvação para o que quer que seja.

Quando não está dentro, não será fora que o encontramos. Amor, Paz, Perdão, Alegria, ...

Por outro lado reconhecida que estava a premissa absurda anterior, lembrar-me desse vestido e desse pacífico instante restitui-me a lembrança de mim própria como me reconheço e desejo, longe, anos-luz desse outro eu apagado e sem brilho e luz que estranha e vagamente sobrevivia.

E lembrar-me de quem Sou,  quebrou de algum modo o 'feitiço' interno e o gelo acumulado. E de algum modo, juntamente com outras achegas, contribuiu para das minhas próprias cinzas me elevar, para voltar a sorrir outra vez, ainda que sem o tal (adorado) vestido.

Agora, posso dizer que o visto... no pico do inverno, ou em qualquer outra altura, porque estou de novo em mim. Em Paz. 

muda, set 2007





quarta-feira, 21 de abril de 2010

pontos de luz *

"pontos de luz"











no silêncio da aurora mal dormida, acresce o meu silêncio revirado.
ao vazio cristalizado, adiciono o meu próprio, permitido.
e eis que com novos ritmos de novo sinto a energia mover-se dentro de mim, assim como se fosse marioneta, movida por delicados mas resistentes fitas de cetim.
e ela entregue, move-se conduzida em desconexas danças arcaicas ao som de inaudíveis sinfonias privadas.
...
tudo está tão absurdamente parado agora, que poderia ouvir as pestanas acenar, o cabelo a crescer.

está na hora de voltar a adormecer.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

sabotador interno, um amigo chamado Saturno



Esta música parece-me que ilustra o resultado prático e visível do boicote interno ou sabotador interno.

Ando à uma semana com a ideia de que o meu próprio sabotador, voltou a fazer das dele, que se voltou a 'intrometer' com toda a legitimidade e minha covardia nos meus assuntos com o meu total ainda que inconsciente (no início) consentimento.

E agora que o vejo crescer e ganhar corpo, que me vejo controlada, limitada e dirigida, sinto-me manipulada pelo meu próprio medo e insegurança, por caminhos 'fáceis' aparentemente, mas que na verdade me parecem divergentes e distrativos. Uma espécie de placebo: não faz mal nenhum, não faz bem significativo e dá-me a ilusão de 'cura, o que como sabemos é um passo para ela ;).
Mas neste caso não é. Eu sei que não é, sinto-o.
É como se andasse às voltas sem sair do sítio, como um cão a tentar morder a sua cauda.

Quando digo não faz mal nenhum, esqueço-me de mencionar o atraso no tempo linear*, que me impede de fazer no devido tempo** aquilo que pressinto e intuo ser correcto.
( o meu sabotador interno  - ou será o meu Eu Superior? - volta ao ataque e diz: é porque não estavas pronta!...)
E proscatino (que raio de palavra esta!). Adio(-Me).

Encontram-se justificações, motivos, correctos, plausíveis, justos,... aos nossos olhos para tomar certas decisões alternativas ou de adiamneto, ou de cancelamento. Para não fazermos aquilo que interiormente sentimos. Para não seguirmos aquilo que a nossa alma (quando a ouvimos) pede.

Medos, inseguranças, a sociedade, os pais, os filhos, os amigos, os valores morais/éticos/religiosos, ... tudo numa amálgama de coabitação (não) pacífica dentro de nós que nos molda carapaças que a maioria das vezes não nos servem, mas que usamos contrafeitos.
Ou que fazemos de conta que nos acentam na perfeição, justificando a nós próprios a necessidade, a utilidade, a obrigação de as usarmos para bem de tudo e todos menos de nós próprios***.

E crentes e crédulos das nossas 'certezas', bombardeamo-nos e couraçamo-nos com desculpas de impossibilidade, de anulação, de culpabilização e de desresponsabilização.

Já sabemos: somos assim, imperfeitos e perfeitos e exímios a contornar o que nos incomoda, interpela, intimida, molesta, inibe, coage, corrompe, magoa, ...

E até termos algum tipo de insight e agirmos, ou a Vida ( com algum trânsito ou retorno de Saturno à mistura) nos tirar o tapete e nos obrigar ''a mal'', à força, continuaremos adeptos das nossas desculpas e convictos das nossas limitações, a auto-sabotarmos e limitarmo-nos de ser quem verdadeiramente somos.
A viver apenas na Sombra de nós, quando podemos sagrada e responsavelmente harmonizar e integrar o nosso lado lunar com o solar e afirmarmo-nos no pleno poder e exercício do nosso livre-.arbítrio.
E isso inclui todos os medos assumidos e sistemas de defesa, para que a transmutação alquímica se dê em nós.

Para sairmos da cruz onde nos metemos e carregamos , para que se dê a verdadeira cruz de Cristo : possamos viver no tempo e vida  que temos, a nossa condição humana (linha horizontal da cruz) e através da consciência vivida do divino em nós, possamos ascender (processo alqúímico de passagem da dualidade à unidade) ao divino fora de nós (linha vertical da cruz).

Para quem tanto temor tem da palavra , ESPIRITUALIDADE é isto:

- reconhecer no mundo, na matéria, a existência do Espírito.


* o tempo linear (horizontal) é simbolizado por Cronos (deus grego) ou Saturno (deus romano).
(muito resumidamente:
No plano físico associa-se às coisa duradouras. No mental à lógica, disciplina, auto-controlo e organização. Socialmente associa-se ao sentido de dever, de honra, responsabilidade, tradição, associado  às instituições, organizações e autoridade governativa, arquétipo da sociedades patriarcais.
Símbolo da ordem, do rigor, simboliza os princípios e estruturas construidas e estabilizadas no tempo.
"Saturno evoca os processos de amadurecimento que validam o sentido de segurança assente na experiência e na relação com o conhecido. Ele é o Snhor do Tempoque define e delimita as fronteiras daquilo que consideramos ser uma realidade verificável, palpável e concreta." (Luis Resina, in Guia de  Intrepretação Astrológica


**Há um tempo interno da consciência que não é  cronometrável  (simboliado por Kyros agora, presente) , tem a ver com o processo interno individual. Através do desenvolvimento  de  uma relação do divino em nós (aqui estão também  associados as simbologias de Urano, Neptuno e Plutão)
É vertical porque liga a base, a terra, o instinto, o animal até à estrela mais distante, o sobrehumano, divino, Todo.
Kyros permite-nos através de formas criativas ligarmo-nos com o Todo, assumirmos que somos seres espirituais com forma humana.

***".. enquanto as normas e os padrões sociais não forem integrados pelo sentimneto, pela avaliaçao qualitativa do individuo, apenas seremos seres que produzem crenças e opiniões sem um verdadeiro sentido de valores individuais. Quanto mais individual, mais universal, porque a humanidade está no individuo pela integração desse dois factores e muito menos no conjunto dos valores teóricos e regras das quais a sociedade se serve para nos moldar" ( do mesmo autor)

domingo, 4 de abril de 2010

Vias-sacras interiores



Lembro-me de ouvir alguém amorosamente iluminado dizer que quando as pessoas descobrissem que pondo a ‘mão no peito’* este deixaria de doer, seria uma enorme avanço na humanidade.



Que sofremos, é um facto. ‘Contornável’ e directamente proporcional ao nosso apêgo. Quando digo contornável não quero dizer que o devamos ignorar (contornar) e fazer de conta que não existe essa emoção, esse sentimento e a razão que o provocou. Com isso só vamos conseguir que a nossa alma se retraia em uníssono com o nosso corpo, para nos chamar a atenção. Quero dizer que se ainda não temos a capacidade de não ter essa dor, é porque provavelmente precisamos de a vivenciar para entendermos e reentegrarmos algo em nós perdido.



A dor toca um vazio que já existe em nós. Atraímos esse acontecimento, pessoa, momento nas nossas vidas, um espelho que nos devolve partes de nós mesmos que precisam de ser curadas e harmonizadas. Temos dor, por vezes porque algo na nossa vida não deu certo. As nossas acções são por sua vez também resultado daquilo que pensamos e aquilo que pensamos está eminente e directamente ligado ao nosso sistema de crenças, aos nossos valores.



Quando algo não funciona, é essa raiz de valores que requer a nossa atenção e ‘ajuste’, onde podemos procurar a mudança.



Muitas das vezes é tão simplesmente porque não nos deixamos fluir com a impermanência, com a mudança nas nossas vidas, seja no caso de morte, de separação afectiva, separação física, etc.



Resistimos, não nos permitimos nem aceitamos os acontecimentos, as pessoas como parte de um fluxo de vida em constante mutação, vida essa que nós não controlamos de todo, por mais poder sobre o próprio, ou os outros que julguemos ter. Nós não temos poder. Esse poder.



Temos um poder incalculável, de força, de amor, de cura, (…) , porque fazemos parte indissociável do Todo que nos alimenta e nutre, e do qual nos distanciamos amiúde. Essa centelha divina, que tudo é e tudo pode e que habita em nós, todos nós. Sempre a toda a hora acessível e vivida em qualquer momento.



Por isso me incomoda o culto da via-sacra. O culto da dor. Quando sei que a energia que me habita tem a capacidade de me regenerar, de me curar, de me amar, sem me fazer sentir miserável por errar, indigno por falhar, incapaz e impotente à dor como se esta fosse via de salvação, como via de redenção. A dor não é o caminho.



Não vim à Terra para sofrer. Vim para lembrar o que já soube , vim lembrar o que sou em cada pequena etapa. A dor faz parte momentânea dos nossos processos de vida, faz parte dos vazios e buracos negros em nós. Mas não é o destino.



O esclarecimento da nossa alma permite-nos ousar outras saídas. Vivenciando a dor, atravessando-a, sentindo-a, mas saindo dela. Não procurando razões, motivos, passados ou presentes para a alimentar e fazer crescer em nós.



Via-sacra interior para mim é nutrir essa dor e procurar momentos ( seja através de músicas, lugares, palavras, fotografias) em nós para ela crescer. Ao passado vamos, ao que já foi e já não é. Por isso também dói. Não dissociarmos afectivamente (desapego) o que já foi um dia, do dia de hoje. Essa impermanência, essa ausência. Essa falta de poder de restaurar o que foi, é passado, já foi, já não existe. Não é verdadeiro, não pertence ao aqui e agora. Não pode ser (re)vivido.



Sentir dor é uma coisa, alimentarmo-nos nela é outra muito distinta.



Ao alimentarmos a dor estamos a descer o nosso padrão de vibração energético, a densificarmo-nos na matéria com todas as consequências negativas que daí advém..



A nova era. O aumento da consciência, traz-nos responsabilidades sobre nós próprios e sobre os outros também. Cabe-nos aceitar e vivenciar a dor, percebe-la sem a ignorar, senti-la, mas encontrar meios , pequenos passos para aos poucos sairmos dela. Esses pequenos passos podem ir, desde ouvir uma música /som que nos alivia nos faz sentir bem, a olhar para fora de uma janela e ver ‘o mundo/dor’ além da nossa, apreciar e cheirar uma flor, a dar um passeio pela natureza, a escrever, …



Só estando numa situação de algum equilíbrio, poderemos ‘vasculhar’ os nossos pensamentos e sentimentos e tentar perceber melhor o que aquela dor/problema(amigo!) nos traz de novo.



A dor é uma oportunidade de expandirmos consciência. É alquímica, tem poder de transformação, de transmutação, se o quisermos encontrar.



Só com alguma harmonia interna, poderemos ter algum discernimento interior que nos deixe aceitar e nos permita seguir em frente, fluir com a vida diante(em) de nós.



Outro alguém especial (Roop Verma) diz que : ” a vida é uma festa…onde estão sempre a entrar e sair pessoas…”

*auto-reiki

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

um abraço d'anjo


J-P, 2009

ontem, no meio de um exercício meditativo, saído 'do nada', surges-me tu e eu num abraço. o primeiro e único da partilha de dois dias. breve despedida no segundo dia. mas aquele abraço, foi tão especial que ainda hoje me consola, talvez por isso a minha mente ou o meu coração, a minha alma o foi buscar para mim.
como é que um 'simples' abraço me trouxe e traz de volta a casa. porque foi isso que eu senti quando te abracei, que estava protegida, em paz e em casa. dormiste bem? perguntaste, sim...e no aconchego ternurento daquele abraço, fiquei...
ah, meu anjo, que é feito de ti? e L? a vida voltará a reencontrar-nos por aí?
nunca tirei uma foto a alguém que achasse que havia captado a sua essência, como esta. e sem querer...acho que ficaste muito bem, divino..

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Liberdade



" A minha liberdade termina quando começa a do outro", é uma frase que ouço amiúde.

Entendo-a como os limites da minha liberdade de fazer, de agir, quando esse agir não afecta ou não diz respeito só a mim, mas implica a inclusão de um outro.
E aí, porque não se trata apenas de um indivíduo, aí entra o respeito, esse conceito fundamental, tão oprimido e ignorado.

O Respeito implica reconhecer no outro a sua unidade e individualidade, a sua idiossincrasia e numa vertente que se aceite, holística, a sua centelha divina.
E essa capacidade de reconhecer, de perceber um todo indivisível, leva-nos a ver o outro como alguém igual a nós e a 'reverencia-lo', ou a respeita-lo nessa condição.

Um Irmão. Independentemente das suas escolhas, dos seus comportamentos, dos seus atributos ou características, apesar de tudo isso.
Ser Irmão, não implica a concordância dos seus actos, mas a aceitação.
Não significa que aprove actos ilícitos, ou actitudes que considere ausentes de luz, de amor. Significa que aceito a sua capacidade de errar; que aceito a sua incapacidade (ainda ou de momento) de fazer ou ser melhor; que percebo as suas limitações humanas, circunstânciais; que não condeno os seus actos; que ao alcance do possível exemplo incondicional dos meus, poderei contribuir para maior lucidez e crescimento.
[não, não é tarefa fácil]

A minha liberdade implica esse respeito profundo pelo Outro e a aceitação suprema da sua liberdade, da sua capacidade de pensar, de agir e de ser, mesmo que não seja (sobretudo se não é ) de acordo com os meus parâmetros, gostos, vivências, valores.

Dar ao outro de facto a liberdade de ser ele mesmo e viver de acordo com a sua etapa evolutiva, de acordo com os processos evolutivos que tem em mãos.

Não sou mais do que Ele em nada. Sou diferente e sou também igual.
Distingue-nos a bagagem hereditária, familiar, social, energética, cármica, profissional (...) ; une-nos a base energética comum, a centelha cósmica, a oportunidade vivencial de cumprirmos determinados e distintos pressupostos e atingirmos ( ou não) outros patamares de luz.

Cabe-nos a cada minuto fazer as escolhas que nos afastam ou aproximam dessa Luz.

O julgamento e o não-julgamento.
Quando julgo alguém, estou a limitar a sua liberdade de ser, estou a julgar-me acima, melhor ( ou também abaixo, inferior ).
Estou a definir ( e restringir) o seu comportamento de acordo com a minha visão, vivência, preconceito, ideia, ilusão.
Estou a colocar-me no lugar do outro, (e a obrigá-lo a ocupar o meu) . Um lugar impossível, porque é só dele. No meu lugar (tal como no dele) só há espaço, capacidade para existir um, o próprio.

Não estou a negar os valores em que acredito (...) estou somente a dizer que os comportamentos cabem aos seus autores, assim como a eles cabe todas as consequências dos mesmos.
Cada um é responsável dos actos que pratica, cada um saberá/terá à luz da sua vivência e consciência, razões, motivos para os praticar, cada um receberá tarde ou cedo os efeitos, as repercussões dos seus pensamentos, dos seus actos, numa lógica incontornável, inevitável ainda que por vezes aparentemente incompreensível e injusta.

Apurar os nossos pensamentos, sentimentos, acções, eis a questão.
Numa tarefa diária, constante, zelosa, de vigília, identificação e adequação. Perceber onde acaba o que sou ( de facto, acção ) e começa a resposta ao outro (reacção) perante o que me disse ou fez.

Frequentemente agimos/respondemos dando ouvidos ao Ego em vez de ouvir a Alma.
E essa erva daninha e caprichosa insinua-se e intromete-se sem pudor ou piedade.

A quem quero agora dar ouvidos?








segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A perfeição


"A perfeição não existe. E, como não é um objectivo, não pode ser uma meta.
Tu só podes querer chegar a um lugar que seja acolhedor, confortável e leve.
Não é suposto o ser humano querer ir para um local desarmonioso e desarmonizado.
Pois a perfeição é isso. É um estado de exigência, de stresse, de angústia e depressão.
É um local em que o ser humano deposita demasiadas expectativas, mas é ao mesmo tempo um lugar desconhecido, pois visto não existir, nunca ninguém lá esteve.
A não ser por breves instantes.
O problema é que os homens não levam isso em consideração.
Querem ser perfeitos.
Lutam para ser perfeitos, julgam tudo o que é imperfeito retirando todo o seu valor.
O homem só não percebe que:
O céu é perfeito.
O Universo é perfeito.
O céu alberga seres de luz.
O mundo alberga homens, seres imperfeitos em busca do caminho da evolução. E como vão evoluir?
Entrando em contacto com a imperfeição do mundo, para, e por conflito com essa mesma imperfeição, conseguirem evoluir, conseguirem avançar.
Agora imagina que o ser era perfeito. Não existiria conflito, e pelo facto de ser pelo conflito que se evolui, não haveria evolução.
Era tudo perfeito, e a experiência da terra nunca teria existido.
E agora? O que é preciso fazer?
É preciso fazer as pazes com a nossa própria imperfeição.
Aceitar que não somos perfeitos, nem temos de ser.
Devemos, isso sim, fazer o melhor que sabemos, da maneira mais responsável.
Só.
E só por isso, eu daqui de cima, já fico muito feliz. "

Nunca tive ídolos, divas, deuses a venerar. 
Não coloco ninguém em pedestais de culto e mais ou menos cegas idolatrias.
Vejo homens e mulheres sublimes, capazes de grandes pensamentos e feitos, alguns com grandes poderes de atracção, charme e sedução. 
Vejo homens e mulheres, seres humanos como eu, de carne e osso, de alma e coração, capazes das mais luminosas e claras luzes e/ou das mais densas e obscuras trevas.
Depende (também, mas não só ) do padrão vibracional de cada um, da frequência energética em que vibram em determinados momentos limite.
Sempre me inquietou frases tipo: "como é que ele foi capaz disto se era tão_____" , "como é que ela fez aquilo se era tão_____ ", "como é que foi possível aquilo se _____ ".
Devoto, calmo, religioso, honrado, credível, responsável, confiável, amoroso, (....) são muitos os vocábulos empregues, como se por si definissem alguém, fossem sinónimo de imutabilidade, de certeza, de vida.
E as bocas abrem-se de espanto, de incompreensão. Como se fossemos apenas isso, ou sendo isso, ser o bastante para garantir a constância.
As notícias trazem-nos agora com outra frequência e pormenor, casos descobertos pelo mundo, desses chamados monstros, relatos das mais prolongadas, densas e obscuras trevas.
Do alto das imaculadas perfeições (como se os seus 'pequenos' delitos do dia-a-dia, de toda a vida, fossem ínfimos à proporção) , muitos dos outros, senhores dos seus s(ab)eres, das suas qualidades, apontam os dedos em riste, abrem as bocas de pavor e ódio, arregalam os olhos de sórdido 'voyeurismo' e dão de ombros de soberba e inatingível supremacia.

-"Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra".


Eu não sou perfeita, nem pretendo ser. Nem aos meus olhos, nem aos de ninguém.

Procuro sim, melhorar-me, atingir harmonia no conflito que é também viver .

Kaizen, todos os dias da minha vida ( 改 善 ) .


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pode-se ser quem não se é?



-Pode-se ser quem não se é?- pergunta Sérgio Godinho, num blog amigo

-Pode- respondo eu- mas não deve, e mas deve. Ahh!!?? Tu baralhas-me..

Passo a explicar-me.
Pode... mas não deve.
É comum, é um lugar comum vermos pessoas a tentar parecer e ser aquilo que não são. A tentar imitar gestos, comportamentos, gostos, idéias, (...) de outras pessoas que admiram, que idolatram, que invejam.
É comum vermos pessoas a tentarem camuflar-se ou misturar-se com uma classe social ‘acima’ da sua, tentando alterar, melhorar, a aparência da sua realidade, seguindo normas e padrões atribuídos a outros que não os seus pares, em busca de outra aceitação social, dos privilégios inerentes a um determinado status. Status, aparência, superfície, casca, invólucro, capa,...

É comum e é aceitável que se queira melhorar de condição de vida.

Mas se essa melhoria, ascensão, implica perder toda a identidade, toda a idiossincrasia e pecularidade, então soa a falso e mais cedo ou mais tarde desmorona. O gosto também se aprende, também se cultiva, mas terá de estar intimamente ligado a uma estrutura, a uma identidade em transformação, em florescimento, não em negação ou anulação.
Anular quem se é no íntimo, para tentar parecer/ser outra pessoa, ignorar a dinâmica das suas energias para se aproximar e ser igual a A, B ou C com uma dinâmica energética e genética diferente, não é saudável.
‘Cada um é como cada qual’. E é esta variedade, especial de seres, de viveres, de sentires, que torna tão rico e desafiante este mundo. ☺

Pode... mas deve.


Para melhor explicar o que quero dizer com isto, vou dar dois exemplos pessoais.
1.
Sou uma rapariga alta, digamos que acima da média, o que faz com que sobressaia acima de qualquer grupo, apesar das minhas vãs tentativas de não aparecer..sapatos rasos, e encolher-me de nada ajudava...mas o facto é que a minha postura cada vez se aproximava dessa figura que dá pelo nome de ‘corcunda de notre-dame’, seria mais uma corcunda de dame . Ora , pensava eu, já o meu pai era assim...mas não tinha que ser assim!

Uma das mais valias para a minha vida que o fazer teatro me trouxe, foi precisamente a minha postura erecta. O estar em palco e contracenar (muitas vezes em pé, lado a lado) com uma actriz ‘meia-leca’☺, a minha amiga Graça, de apenas 1.50m , fazia com que naturalmente me inclinasse para contracenar com ela, bolas, mas então estava tudo contra?
O teatro permitiu-me perceber a importância (...) da minha postura, e de corrigi-la, de ganhar auto-estima, de me sentir confiante e segura e mostra-lo para um público sempre variado e indefinido, imprevisto, crítico, e muitas vezes difícil de satisfazer.
Assim de marreca nas costas passei a (quase) ‘tábua de engomar’ ☺.
A mudança exterior, acompanhou a mudança interior, porque eu assim quis, senti essa necessidade.

2.
Acontecia entrar em algum sítio, e alguém me dizer: -estás chateada? Não , não estava...
-sorria!, dizia-me o meu ‘médico de estimação’- que tem?, nada, dizia, estou bem...

Comecei a perceber que a minha imagem era dura, que estando sem falar, sem sorrir ou rir, tinha uma expressão dura, (tal como a minha mãe!... outra herança?, não , não quero!) rígida, forte e negativa...que não correspondia ao meu estado de espírito (ou pelo menos sempre!), que não correspondia à minha maneira alegre e descontraída de ser. Pelo menos quando não estava triste ou deprimida ☺. E olhem que sei do que falo...

Quando confronto a minha mãe, ela encolhe os ombros e diz: que queres? Uma pessoa não se faz... nasci triste e morro triste... é assim.
Não não é, para mim não, não obrigada.

Dizem que temos 3 imagens. Como os outros nos vêem, como nos vemos, e como de facto somos. E estas três são muito divergentes por vezes, sobretudo entre as duas primeiras.

Durante muito tempo, eu limitava-me a tentar mudar quando era ‘avisada’, falando, sorrindo, etc...agora, porque também faz parte de um outro trabalho interior, no qual eu me ‘esforço’, trabalho para estar bem, e vestir um sorriso pela manhã até adormecer, faz parte do meu dia-a-dia. 
Agora uso esta cara ‘aparvalhada’ e ando de sorriso nas ‘bentas’ a toda a hora... mas é um ‘trabalho’ consciente, estou continuamente atenta a mim própria, aos meus progressos e retrocessos, às minhas conquistas pessoais interiores.

A velha história do ‘eu nasci assim, eu vivi assim , eu morrerei assim... gabrieeeela’ ☺... desculpem-me os obstinados e obtusos, os pessimistas e resignados, os... não senhores, não me convence.

Entenderam o que quis dizer?hope so...

Mas isto sou eu, senhores, apenas dou o meu contributo, e faço por ser feliz.

E já agora...pensem nisto se vos aprouver... e

Façam o favor de serem felizes, viu? ... e     SORRIAM!!! 

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